Para comparar tabelas de preços de planos de saúde, é preciso conferir se as cotações tenham as mesmas condições: faixas etárias, região de contratação, tipo de contrato, acomodação, abrangência e coparticipação. Só depois disso a diferença de valor passa a dizer algo. Veja como ler uma tabela, montar um comparativo equivalente e evitar as armadilhas mais comuns.

Por que duas tabelas quase nunca são comparáveis de cara

Uma tabela de preços de plano de saúde é, na prática, uma matriz: o valor muda conforme a idade de cada beneficiário, a região, o tipo de contratação e as características do produto. Quando alguém diz que um plano custa menos que outro, a primeira pergunta deveria ser: menos em quais condições?

É comum receber cotações com premissas diferentes, como uma com apartamento e outra com enfermaria, ou uma com coparticipação e outra sem. Comparar os valores finais nesse cenário leva a conclusões erradas. O primeiro trabalho, portanto, é alinhar as variáveis.

As variáveis que mudam o preço

Faixa etária

As tabelas são divididas em 10 faixas etárias definidas pela ANS: 0 a 18, 19 a 23, 24 a 28, 29 a 33, 34 a 38, 39 a 43, 44 a 48, 49 a 53, 54 a 58 e 59 anos ou mais. Cada beneficiário é precificado pela sua faixa. As regras também limitam a distância entre elas: o valor da última faixa não pode passar de seis vezes o da primeira, e a variação acumulada entre a 7ª e a 10ª faixa não pode ser maior que a variação entre a 1ª e a 7ª.

Na prática, isso significa que você precisa somar o valor de cada pessoa na sua faixa, e não olhar apenas a primeira linha da tabela. Na Amil, a tabela Amil por idade mostra como essa lógica funciona.

Região de contratação

O mesmo produto pode ter valores diferentes conforme a região de comercialização. Compare tabelas da mesma região em que o contrato será feito.

Tipo de contratação

Planos coletivos empresariais, coletivos por adesão e individuais seguem tabelas e regras distintas, inclusive de reajuste. Não misture tipos de contrato em um mesmo comparativo.

Acomodação e abrangência

Enfermaria e apartamento têm preços diferentes, assim como produtos regionais e nacionais. Se a dúvida for sobre acomodação, veja enfermaria ou apartamento.

Coparticipação

Produtos com coparticipação costumam ter mensalidade menor, mas cobram uma parte do uso. A comparação justa considera o custo provável no ano, e não só a mensalidade. Entenda os dois modelos em plano com ou sem coparticipação.

Como montar um comparativo equivalente

  1. Liste os beneficiários com idade. Anote a faixa etária de cada pessoa que vai entrar no plano.
  2. Fixe as premissas. Defina tipo de contrato, região, acomodação, abrangência e se aceita coparticipação.
  3. Peça cotações com essas premissas. Se uma cotação vier diferente, solicite a correção antes de comparar.
  4. Some o valor por pessoa. Multiplique ou some os valores de cada faixa para chegar ao total mensal.
  5. Inclua taxas. Verifique cobranças adicionais, como taxa de adesão, quando houver.
  6. Estime o uso. Em planos com coparticipação, faça uma estimativa de consultas e exames no ano.
  7. Anote a validade. Tabelas têm prazo de validade e podem mudar; registre a data de cada cotação.

Exemplo hipotético de comparação

Os números abaixo são um exemplo hipotético, criados apenas para ilustrar o raciocínio. Eles não representam preços da Amil nem de qualquer operadora.

Imagine uma família com três pessoas: uma de 36 anos (faixa 34 a 38), uma de 34 anos (mesma faixa) e uma criança de 8 anos (faixa 0 a 18). Duas cotações com as mesmas premissas trazem:

BeneficiárioCotação A (exemplo hipotético)Cotação B (exemplo hipotético)
Adulto, 36 anosR$ 500R$ 450
Adulto, 34 anosR$ 500R$ 450
Criança, 8 anosR$ 250R$ 230
Total mensalR$ 1.250R$ 1.130
CoparticipaçãoNãoSim

À primeira vista, a cotação B parece mais vantajosa. Mas, como ela tem coparticipação, é preciso estimar o uso. Se, no mesmo exemplo hipotético, a família fizer consultas e exames que gerem R$ 150 por mês em coparticipação, o custo mensal médio de B passaria para R$ 1.280, acima de A. Se o uso for baixo, B pode continuar abaixo. A resposta depende do perfil de uso de cada família.

Armadilhas mais comuns

  • Comparar só a primeira faixa. O valor de quem tem 0 a 18 anos não representa o custo de uma família com adultos.
  • Ignorar a próxima mudança de faixa. Se alguém está prestes a mudar de faixa etária, o valor vai mudar em breve. Considere isso no planejamento.
  • Esquecer o reajuste anual. Além da faixa etária, há o reajuste anual, com regras diferentes por tipo de contrato.
  • Confiar em tabela vencida. Tabelas antigas circulam com frequência. Confirme a validade com quem fez a cotação.
  • Não olhar a rede. Um produto com valor menor e rede que não atende você não é economia.

Mensalidade não é o mesmo que custo total

Uma boa comparação olha para o horizonte de pelo menos um ano. Além da mensalidade, entram nessa conta eventuais taxas na contratação, a coparticipação estimada, a mudança de faixa etária de algum beneficiário dentro do período e o reajuste anual previsto no contrato. Também vale considerar gastos que o plano pode reduzir, como consultas particulares fora da rede quando há reembolso em versões elegíveis. O texto sobre mensalidade e custo total aprofunda esse cálculo.

Depois do preço, o que conferir

Com as cotações equivalentes em mãos, a decisão final passa por outros critérios: rede credenciada, carências, reembolso, serviços adicionais e a experiência de atendimento. Se você está avaliando a Amil, a página da tabela Amil explica como solicitar uma cotação com as premissas certas. E, antes de assinar, confira na proposta se todos os valores e condições correspondem ao que foi cotado.

Perguntas frequentes

Por que o valor do plano muda conforme a idade?

As tabelas são organizadas em 10 faixas etárias definidas pela ANS, e cada beneficiário é precificado pela faixa em que está. As regras limitam a diferença entre faixas: a última não pode custar mais de seis vezes a primeira. Para pessoas com 60 anos ou mais, o Estatuto da Pessoa Idosa veda reajuste por idade.

Posso comparar um plano empresarial com um por adesão?

Pode servir como referência, mas não é uma comparação equivalente. Cada tipo de contrato tem tabelas, regras de carência e de reajuste próprias. O ideal é comparar produtos do mesmo tipo e, separadamente, avaliar qual modalidade faz mais sentido para o seu caso.

Tabela de preços tem validade?

Sim. As tabelas comerciais podem ser atualizadas pelas operadoras, por isso cada cotação deve trazer a data e o prazo de validade. Antes de assinar, confirme se os valores da proposta são os mesmos da cotação que você analisou.

Plano com coparticipação sempre sai mais em conta?

Não necessariamente. A mensalidade costuma ser menor, mas há cobrança por uso. Para quem usa pouco, pode compensar; para quem faz consultas e exames com frequência, o custo total pode superar o de um plano sem coparticipação. Estime o seu uso antes de decidir.

Informação importante

Rede, preços, campanhas e coberturas podem mudar. Confirme tudo na proposta.